sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

#05 - Raçao para Pinto

Ração para pinto

Era uma vez uma menina ingênua. Por ingênua, não julgue que ela não sabia das maldades do mundo. Ela até as conhecia, graças aos conhecimentos adquiridos com a literatura de fofocas e programas destinados a dúvidas sobre sexo. Mas algo faltava na sua cabeça que a levasse a um bom raciocínio lógico.
Ela tinha uma nome: Nevassa. Vivia trancafiada num quarto assistindo toda a programação da tarde. Era tão assídua, que seria até capaz de gravar a programação do outro canal para tentar assistir as duas no mesmo dia. Socializa-se com alguma freqüência, pois tinha que abastecer o seu estoque de fofocas.
Certo dia, Nevassa resolve mostrar para os seus amigos um das suas fitas cassete de infância. Dando o play no vídeo lá está ela, com uns três anos de idade pulando e dançando, provavelmente numa festinha para comemorar a sua idade nova. Seu pai, o cinegrafista e narrador do vídeo lhe passa a seguinte instrução:
- Nevasssa querida, senta e toca o pianinho que você ganhou.
À frente da criança, encontra-se um lindo piano infantil. Não era apenas um daqueles reles tecladinhos com sons de animais, mas sim um piano com calda e tudo.
A menina continua olhando pro foco da câmera e parece não ter entendido a ordem. O pai lhe diz mais uma vez:
- Vamos lá amor, senta e toca o piano.
Sábia, a garota entende a ordem e passa pra fase de execução. Em poucos segundos, a criança se senta nas teclas do piano e começa a pular, tocando o piano com a bunda. Se o pai dela comentou algo ninguém escutou, porque todo mundo estava rindo no momento que assistia isso.
- Uai, ele mandou eu sentar e tocar o piano, eu fiz as duas coisas uai. – diz a Nevassa versão adulta.
O tempo foi passando e ela ingressa no ensino universitário, resolveu virar enfermeira.
Primeiro dia de aula, ânsia para estreiar os cadernos novos, sala ainda desconhecida, um professor tentando ser engraçado começa sua aula sobre afrodisíacos. Depois de meia hora dissertando sobre o tema, escolhe Nevassa para responder uma das suas questões (sem usar termos técnicos na formulação da pergunta):
- Nevassa, qual comida é boa para fazer o pinto crescer?
Ela para, fica toda pensativa e então responde:
- Uai professor... ração?
A sala cai em riso. O professor se espanta, achara que estava em um ambiente onde todos eram mentes sujas e já entendiam dessas maldades da vida, então ele repete a pergunta:
- Não, Nevassa, não é ração. Tem coisas que estimulam o pinto a crescer e faz ele ficar mais forte para reproduzir.
Ela pensa novamente, pelo menos aparenta, e afirma:
- Uai, sempre vi minha avó dando milho pra eles crescerem, se não for isso eu não sei o que é.
Depois dos risos, o professor seguiu explicando sobre amendoim, ovo de codorna, jurubeba. Nevassa prestou atenção à aula, pois não queria mais fazer feio perante os novos colegas e queria descobrir o que fez a sala rir da cara dela.
Acaba a aula, ela encontra com uma colega na saída da faculdade.
- Iai Nevassa, está gostando do curso?
- Sim! Acredita que hoje eu descobri que se dermos ovo de codorna ou amendoim para os pintinhos eles crescem mais de depressa! Vou contar isso pra minha avó, assim vamos comer galinha todo final de semana.
Qual foi a reação da avó dela ao ouvir isso ninguém sabe. Tomara que alguém já a tenha tirado desse equívoco.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

#04 - Gol de Viatura

Gol de Viatura

Xoupex era um sujeito boa praça. Aparecia do nada, altas horas da noite, e chegava em qualquer rodinha de amigos e conseguia animar todo mundo com seus causos mais fantásticos. Alguns deles beiravam o absurdo, como o dia em que narrou a epopéia de um amigo que estava dirigindo uma Brasília e encontrou uma Carreta Bitrem estragada no meio da rodovia. Muito solidário, resolveu ajudar a “rebocar” a carreta e a danada da Brasília conseguiu força suficiente pra trazer a carreta de Campo Belo até o Posto São Vicente. Será verdade? Vamos ver!
Há fatos que foram presenciados por olhos de pessoas que não costumam mentir, como o dia em que Xoupex e Guifonho foram ganhar um bico tentando instalar uns cabos de internet na casa de uma coroa. Os dois não manjavam quase nada do assunto, mas sabiam que a missão era apenas trazer um fio da laje e plugá-lo no computador. Mas havia uma parede no meio do caminho...
Sem pensar duas vezes, Xoupex correu até a sua casa e trouxe uma furadeira para mostrar pra parede quem é que manda. Ao ver que Xoupex não se preocupou nem um pouco com o tamanho da broca, Guifonho o advertiu que aquilo não daria certo, que ela era grossa demais e que iriam fazer um estrago na parede da mulher, mas Xoupex não se atentava a esses detalhes – vai ser só um furinho, ela nem vai notar – poetizou.
Poucos minutos depois estavam cada um de um lado da parede e Xoupex iniciou o martírio da perfuração. Ele pressionava, pressionava, punha mais força, pressionava e nada da parede furar.
- Já apareceu a broca do outro lado Guifonho?
- Nada.
- E agora?
- Ainda não.
- Agora deu?
- Peraí, ta aparecendo algo na parede.
Quando Guifonho olhou com mais clareza notou que o buraco estava ficando enorme e vinha seguido de uma trincadura gigante. Os dois tentaram despistar o fato, retirando os pequenos escombros que sujaram o chão da madame e prosseguiram com a instalação da internet.
Tempo depois, a madame senta no computador para sentir a nova velocidade da sua internet. De cara, já foi para o Megacubo, um site onde é possível assistir vários canais de televisão em tempo real e de graça. A mulher, indecisa, olha os canais sem saber o que assistir. Ela vê um XXX e fala:
- Olha, deve ta passando “Triplo X”, esse filme é muito bacana.
Xoupex e Guifonho olham um para o outro, mas como queriam ver merda, não contam pra coroa o que XXX quer dizer na linguagem adulta virtual.
Quando ela clicou, não demorou nem dois segundos para ela ver milhares de corpos se enroscando tentando virar um só. Uma tremenda orgia de filmes pornôs. Como os dois se justificaram para ela, deve estar sendo contado em uma Praça espalhada pelo país afora...
Já uma Praça em especial tem uma boa história para contar sobre os pés (que outrora eram considerados sujos) de Xoupex. Conversa vai, conversa vem, começa uma discussão pra ver quem consegue chutar uma bola da La Macabra (ponto/atrativo turístico localizado nas arquibancadas da Praça) até dentro do lote do Solenin. Desafio aceito.
Xoupex era conhecido como o Terror do Futebol. Mas não pelas suas habilidades nos gramados. Sempre que a galera reunia para ver jogos na TV a cabo, lá estava Xoupex, com um radinho e fones no ouvido. O atacante entrava na área e o garoto já começava a pular no sofá gritando gol ou “puta que pariu foi pra fora.”
Mas sobre futebol, uma habilidade dele deixava todos de cara: a potencia dos seus chutes. Nas três primeiras tentativas ele já conseguiu chegar até na calçada. Outros que tentaram aceitar o desafio não conseguiram passar nem da metade da Praça. Só é importante ressaltar, que já eram cerca de 2h30 da madrugada e ninguém queria ir embora enquanto não visse um feito histórico: o lendário chute de dezenas de jardas sendo realizado na frente dos seus olhos. Pouco tempo depois, ele conseguiu concluir o feito, mas o povo ainda queria mais, queriam ver ele fazer novamente e ainda com mais força no pé!
Xoupex preparou um chute daqueles bem potentes e meteu o pé na bola. Inacreditavelmente, contrariando todas as leis da física, todos os presentes viram um carro se aproximando. Chance de acerto da bola no carro: 0,00002%. O carro, que vinha em alta velocidade, foi atingido em cheio no vidro dianteiro. Todo mundo parou e ia dizer “puta que pariu!”, mas antes que o cérebro enviasse o comando para a boca proferir estas palavras, os olhos notaram que o carro se tratava de uma viatura policial. Chance de isso acontecer: 0,00000000001%.
Todos ficaram sem fala, e só queriam dar um jeito de se safarem dali para não serem presos. Imaginem a reação dos policiais: você trafegando tranquilamente numa noite de sexta feira, às 2h42 da manhã, tudo calmo, quando de repente o seu carro é atingido por uma bolada bem forte. Rapidamente, os “homi” desceram da viatura e já queriam tirar satisfação, quando Xoupex se aproximou e com um jeitinho e uma boa lábia se desculpou com os caras. Por ser amigo de um dos policiais o jovem foi apenas advertido:
- Parem com a bola. Isso não é hora nem local para jogar futebol.
Sorte que Xoupex apenas disse que estavam “jogando futebol”. Imagina se ele conta que atravessou a Praça com um chute? Os policiais iam levá-lo para o manicômio e os presentes teriam que testemunhar um feito heróico.
Em algum outro lugar do mundo, ele deve estar contando esse caso da bolada para alguma rodinha de amigos e ninguém deve estar acreditando nele, como ninguém acreditou na história da Brasília. Porém, conhecendo Xoupex e assistindo uma de suas façanhas, tudo passa a ser a mais pura verdade.

domingo, 16 de janeiro de 2011

#03 - Fuscão Preto

Fuscão Preto

Era uma noite de verão, sábado. O tédio rompia as entranhas de um grupo de adolescentes que resolveram sair para comer uma panqueca em um trailler qualquer, situado no topo da cidade. A vista do local era linda. Era possível enxergar as diversas luzes que compunham o cenário arquitetônico noturno da cidade. Mas ninguém ligava para as luzes, pelo menos no momento de comer. Hora sagrada.
As regras de etiqueta não existiam para aquele povo. Bastava um piscar os olhos para que o outro furasse a garrafa de refrigerante com a faca, fazendo com que a pessoa que fosse servir sujasse toda a sua roupa com o líquido que escorria pelo buraco. Brincadeira de mau gosto, os outros riam de bom grado.
Conversa vai, conversa vem. A bagunça era geral como de praxe. Até que em determinado momento um black-out assombra todo o bairro. A gritaria foi intensa e tão logo já começaram as piadas:
- Tira a mão do meu pa*, ta doendo!
- Quem tá passando a mão na minha b*nd*?
Piadas seguidas de gritos eufóricos de pseudo-medo, só para aproveitar a chance de gritar. No trailler, a dona do estabelecimento solta um berro e manda o grupo de jovens terem respeito, já que o lugar era um local de família, e a boa índole sempre deveria prevalecer.
Ofendidos e sem graça, os jovens cogitaram a hipótese de correr no escuro sem pagar. Mas como vários companheiros moravam nas redondezas, a fuga seria um fiasco e sujaria o nome dos pais dois coitados nas praças da cidade. Comeram, pagaram e saíram.
No momento de deixar o estabelecimento, pararam e contemplaram a escuridão. Não havia nada ao redor e era impossível enxergar qualquer ser vivo que não estivesse há uns 25 centímetros de distancia. Pra piorar, o bairro era famoso por ser uma região um pouco violenta, e vagar pelas ruas sem iluminação era pedir pra morrer.
O grupo era pequeno, cerca de oito jovens. Sem acharem solução de como ir embora, alguns deles decidiram dormir na casa de Nobre, um garoto que morava alí pelos arredores. Enquanto isso, Norlam, o mais velho da turma, estava de carro e era o único que dispunha de meios seguros para ir embora, então ele recusou a proposta pra dormir na casa de Nobre e foi até a esquina pegar o seu possante.
Norlam colocou a chave na maçaneta de seu Fusca e girou, mas nada aconteceu. Estaria ele errando a chave ou o buraco devido ao apagão? Bem provável. Continuou tentando e nada.
- Precisa de ajuda? – Pergunta um dos amigos
- A porta deve estar emperrada. Ela trava assim mesmo.
Nisso, Norlam segurou a maçaneta com mais força e tentava puxar a porta, forçando o pé contra a porta pra ganhar impulso. Nada. A porta não abria.
Neste instante, a porta da casa da frente se abre e um homem gordo, sem camisa, com um pedaço de pau na mão surge e diz com uma voz nada gentil:
- Que que você ta querendo muleque!? Ta tentando roubar meu carro assim, na cara dura?
Norlam, que já não era de muita conversa ficou mudo. Sem saber o que fazer, olhou ao redor procurando uma luz nas trevas e finalmente percebeu o seu erro.
Andou lentamente e, sem graça, virou pro dono e disse:
- Oh! O meu Fusca é aquele ali! - E se dirigiu para um outro automóvel idêntico ao que ele tentara arrombar, estacionado há uns 15 metros de distancia.
O homen ficou sem reação no portão de sua casa, enquanto o joven ligava o carro e sumia na escuridão. Por pouco ele não perdera a vida por causa de um simples engano.
Enquanto isso, o pobre Nobre levou os amigos pra dormirem na sua casa. Em cima de uma das camas, havia uma televisão que eles haviam tirado da estante para colocar o computador. Um dos nômades, de nome Tesuma Agalo, estava brincando de equilibrar o eletrodoméstico com os pés, quando, de repente, coloca um pouquinho de força a mais e a TV colide contra o chão. Tudo que o povo ouviu na escuridão foi o último suspiro dos fusíveis da televisão deixando o plano material. Sorte que as trevas tamparam as lágrimas que escorriam pela face de Nobre, prevendo o que acontecia quando sua mãe recebesse a notícia do ocorrido.


Post Scriptum

Enfim, este é meu novo projeto. Estava só esperando juntar uns 20 contos pra publicá-los e fazer uma compilação no final, que por enquanto eu denomino "Curriculum Merdae". São pequenas anedotas contadas em mesas de bar que já aconteceram com o povo da turma. Fatos que se contar ninguém acredita - é com esse mote que eu vou escrever as histórias. Minha meta não é ofender ninguém com isso, visto que os nomes serão todos fictícios. O que eu quero é treinar a minha escrita para uma área que eu não tenho o costume de escrever. Quero treinar meus recursos narrativos. Eu sou muito dissertativo, preciso espandir meus horizontes, então, sintam-se livres pra me corrigir e dar palpites. Se alguém tiver sugestões de casos cômicos também eu agradeço. E se alguém quiser contar um causo, sinta-se livre também. Basta usar a numeração #21 e continuar. Pra quem não sabe, a #01 e a #02 já foram postadas (A mulher fogosa do Jazz e a Batida de Carne (do Fuca)) .
Sei que esse ficou sem graça, mas é so pra lembrar mesmo. Daqui uns 10 anos a gente ri disso, do mesmo jeito que a gente ainda ri da ponta do iceberg, quando já colidimos frontalmente com ele!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A Odisséia de Dicésar

As férias nem começaram direito e já mostraram o seu potencial. Eu prometi a mim mesmo durante o ano letivo que se conseguisse sobreviver à rotina infernal que eu estava exposto, ia descontar tudo nas férias, pra equilibrar o nível de stress.
As festanças começaram adiantadas, sendo iniciadas com a festa de formatura da Ana. Ri muito viu. Teve uma seção flashback na antiga Praça (Los Manos Burguer) e de lá fomos pra casa do Glória fazer a festa. Salvo os coretes do Demétrio. Infelizmente minhas dezenas de horas sem dormir não me deixaram aproveitar a balada nos conformes e eu desmaiei na sala.
Sexta teve Festa no Corujinha para os professores. Depois formatura do Tino. Depois degustação dos restos da festa de quinta na Praça.
Sábado fomos pra casa do Bruno Dancing assistir ao primeiro dos três DVDs do Hermes e Renato e depois fomos pra Praça. Eu não queria ir embora nem a pau, e pelo visto o Dança e o Teia estavam no mesmo time. Fomos dar voltinhas pela cidade, fomos no Cristo, na Lagoa acender o farol nos carros e depois pra casa dele conversar fiado.
No dia seguinte, como não tínhamos nada pra fazer, marcamos um açaí três da tarde. Eu, dança e zózimo. Nada de açaí, fomos pro Milk Shake e de lá fomos pra porta do Joaquim Rodarte rir dos caras que estavam fazendo o vestibular do cefet. Nisso achamos o Dedé Baixo Astral e depois o Danilo César e o Teia. Mais na frente o MiniMiller. Fomos dar um rolé na rodoviária até os meninos alcoólatras terem a ideia de comprar um álcool e ir beber na Praça. Entre tantas opções, a que chamou a atenção dos jovens foi uma de nome “Old César 88”. Daí vem os trocadilhos do título do Post. Odisséia porque a gente havia caminhado muito e caminharia mais ainda no futuro. Dicéssar porque daqui a pouco a história vai ter pitadas de homossexualismo. Saímos do ABC e ficamos com vergonha de beber na Praça da Matriz, então fomos pra Praça da Emmel. Chegando lá, degustamos do néctar da bebida até que aparece um menino com uma gorda e uma magra. A principio, achamos que o menino era gay até que ele começou a garrar a gorda. Como o álcool já havia subido às nossas cabeças, começamos a fazer comentários do tipo “que cara trouxa, garrou a mais feia e talz”. Depois, cansados de ver a bonita velando, fomos lá puxar papo com ela. Cansados, fizemos teorias de onde era o melhor lugar pra mijar. Mais tarde, começamos a ligar e convocar nossos amigos pra praça. Chegaram o Demétrio, Ana Cretina e Israel. Duas meninas estavam numas posições meio embaraçadas e eu e o Dança fomos lá chegar nelas. “Oi, o que vocês fazem aqui?” Disse o Eu galantiador. “Estamos namorando!” foi nossa resposta. “Eu já ia te perguntar isso mesmo, se vocês eram lésbicas” complementou Dança. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que o casal de rolinhas foi expulso da Praça do Tio Patinhas por uma mulher que elas descreveram como: louca, ruiva, tatuada e com um carro vermelho. Com um pouco de investigação, descobrimos que se tratava da Mãe da Raissa. Rimos demais disso. Segundo elas a mulher saiu perseguindo elas de carro, chamando elas de sapatão, falou que ia chamar a polícia, que elas tavam fazendo atentado ao pudor e tal. Com mais conversa fomos descobrindo novas informações. Engraçado é o tanto que o MiniMiller sofre. Parece que todo mundo na cidade conhece a mãe dele tadinho. Até na hora que a gente ligou pra Pri (Alo Pri? Pri Alo?) e ele fez uma bela atuação do Alo Pri com vocais de arroto a Ana fez questão de dedurá-lo. (O massa, é que enquanto estávamos no auge de um momento los angeles, algum celular sempre tocava com reclamações sobre a Roça. Ficamos pensando: será que esse povo dorme? A gente na maior alegria, rachando os thallos e eles preocupados com coisas banais. Acho que isso tudo é carência)
Ae depois já estamos amigos das lésbicas e elas começaram a se engolir na nossa frente de boa, sem receios. Depois fomos jantar no Asa Branca. Foi massa. Todo mundo compra uma coxinha, volta até chegar no Lenilson, sente que a Lariça ta grande, volta pro asa branca prum segundo round e depois volta pra Praça. Ficamos lá conversando fiado (os assuntos da vez era a teoria dos três créditos, e quem cada um ia pegar na roça) depois começou a chover e tivemos que adentrar no CCAA. Ficamos lá deitados de boa, numa imensa orgia de cabeças nas coxas, nas barrigas, etc e ninguém teve forças pra levantar. Ficamos lá no mínimo uma hora, todo mundo deitado, bonitinho, aglomerado. Era essa a imagem que eu queria pras minhas férias. Deitado na rua, às 1h30 da madrugada, sem preocupar com diários, provas, trabalhar no dia seguinte. Apenas com bons amigos discutindo as coisas mais insignificantes da vida.
This is MK Vera.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A diferança entre cover e versão

Claro que todo mundo sabe a diferença entre o charme e o funk (um anda bonito, o outro elegante), quem assiste Hermes e Renato sabe que Quarto e Vaga são duas coisas completamente distintas e eu e o Thalles aprendemos que Silk é diferente de Transfer. Ontem o Bruno Gouvea do Biquini Cavadão me ensinou a diferença entre cover e versão.
Tudo começou com o Verde me chamando pra ir ao show do Biquini Cavadão. O pacote tava 60 mil réis. Fiquei triste por ser pobre, amaldiçoei o meu destino e não pude ir. No sábado o Cambota me falou que tavam vendendo a 20 só para o Biquini e comprei na hora. Enfim, cheguei ao show e já de quebra a banda lascou 5 covers transados do novo cd deles (José Zeraldo, Índios, Tempos Modernos, Música Urbana e Inútil) pulei igual uma puta doida. A presença e a animação do Bruno merecem total atenção. O cara tem as manhãs e é responsa. Sem contar o carinho dele com a plateia (Ta certo que ele nos jogou um balde dágua na música "Chove Chuva", mas isso faz parte do show) e sempre agradecendo o público formiguense. Teve uma hora que ele queria ser carregado pelo público, eu estava lá na frente com a Aline e nós não demos conta de segurá-lo. Foi um epic fail. Também, quem manda ficar comendo salgadinhos da Delourdes no camarim. Por falar na Aline, essa interactiana foi a escolhida pra subir no palco e cantar "No mundo da Lua". Ela mandou bem e não ficou com vergonha da "presença de palco". Depois ela ficou lá tocando meia lua, apresentou a banda, virou dançarina, etc... achei que ela não ia descer mais.
Voltemos ao início do post. Pós show, entrei no camarim. Dessa vez sem brigar com seguranças e sem tomar spray de pimenta na cara. Foi trankx.
Eu tava com uma dúvida há muito tempo: queria saber se a música Corredor X do Biquini realmente foi feita pro Corredor X do Speed Racer. Perguntei ao Brunão e ele me disse que era pro Airton Sena, mas que ele gostava de Speed Racer e tal. Depois elogiei os cds antigos deles, falei que Domingo e Insegurança eram umas das minhas canções favoritas e tal e depois elogiei o cover que ele fez do Supla.
Bruno: Cover não!
Eu: Fez sim, dá música Humanos e tal.
Bruno: Sim, ela ta no nosso novo cd, mas não é cover. Cover é quando você toca EXATAMENTE igual.
Eu: Então seria uma versão?
Bruno: Isso garoto esperto! (esse elogio é mentira)
Eu: A tah. Bem que voces poderiam ter tocado este cover...
Bruno: Versão
Eu: ...é, essa versão do Supla no show.
Bruno: Pois é, mas ninguém conhece o Papito, então optamos por músicas mais conhecidas.
Depois ele me falou que gostava de Red Hot. Nossa conversa foi interrompida pq o Guitarrista Coelho me mandou levantar da caixa de cerveja para ele pegar um drink.
Pedi brindes pra todos os integrantes e não ganhei nada.
Fim.

Anexo:
Minha camisa do RHCP ta virando um amuleto de shows pra mim. Quando chego de um show de rock e tiro ela enxarcada de suor me dá um orgulho. Fico pensando no tanto de energia minha que essa camisa já sugou. Vou começar a usá-la só em shows agora para não a gastar.

Enfim, amanhã farei o meu post de fim de ano (será gigante) e só quero dizer que essa vida boemia ta me matando. Desde o fim das aulas eu não to tendo descanço um só dia. Teve uma semana que fui a 5 formaturas/festas e agora esse povo da Praça ta com um fogo no tobas que até na noite de Natal eles estavam lá até 4 horas da manhã. Sem contar que ontem, às 1 e 30 da madrugada, a gente tava brincando de pique-esconde valendo a cidade inteira (só que de carro).

See you, Space Cowboy

sábado, 12 de dezembro de 2009

A batida de carne

Será que quem inventou as regras de etiqueta realmente acredita que o Silvio Santos não come coxa de galinha com as mãos e que a Sandy não tem coragem de catar pipoca do chão e comer? Não sei pra que tanta burocracia para tentar ser agradável para o público. Essas malditas regras são obstáculos para quem é convidado a jantar e ao mesmo tempo para quem esta recebendo visita e só servem para criar uma educação ilusória.
Uma vítima dessa necessidade de ser educado é o jovem Marquinhos, mais conhecido como Cafu (nome fictício; anagrama). Um dia, estando até altas horas da noite na casa de um amigo, sua mãe convidara-o para sentar a mesa e jantar com eles. Depois de recusar um pouquinho, ele aceitou a oferta e juntou-se a família para jantar. Se ele pudesse voltar no tempo, recusaria este convite com todas as suas forças.
A refeição estava apetitosa, exceto por um pedaço medonho de carne do qual Cafu não gostava e não estava apto a comer naquele momento. Ele olhava para o lado e via toda a família degustando-a com uma fome voraz, entretanto ele não tinha coragem de encarar e tentar engolir a carne. Pensou em dizer ser vegetariano, mas não colaria. Um vegetariano não coloca um pedaço de carne no seu prato. Queria deixar de lado, mas sabia que seria uma desfeita.
Milagrosamente uma ideia veio a sua cabeça: resolveu pegar um guardanapo e enrolar a carne nele sem que ninguém visse e depois colocou o petisco no bolso. Após concluir minuciosamente esta missão, finalizou sua refeição, agradeceu, e nem precisa citar que ele não quis comer uma segunda vez.
Altas horas da noite, o jovem Cafu decide voltar pra casa. Jovem ele já não era tanto, mas devido a sua baixa estatura física, sua idade caía para uns cinco anos a menos.
Enquanto caminhava por uma rua sombria e deserta, um carro da polícia parou ao seu lado e o abordou. O jovem, sem saber o que estava acontecendo e como não tinha nada a temer já que não portava drogas nem armas, resolveu não discutir e deixou que a polícia lhe desse uma batida rotineira.
Ele apenas esqueceu um pequeno detalhe que estava escondido no seu bolso. Quando o policial colocou a mão lá dentro e tirou um embrulho todo enrolado num guardanapo sua cara de satisfação foi tremenda e ele logo foi dizendo:
- Olha só o que temos aqui! Achamos um maconheirozinho de uma figa. Isso não são horas para ficar andando com drogas por aí. Vamos lá, me diga logo onde você conseguiu isso e o que estava fazendo com essa droga...
Porém a fala do policial foi interrompida pela sua própria cara de indignação quando abriu o pequeno embrulho e encontrou lá dentro um pedaço de carne, em contraste com a vermelhidão de vergonha da face de Marquinhos.
Sem saber o que dizer em sua defesa, Cafu optou pela verdade, por mais ridícula que ela fosse, e contou para o policial como aquela carne foi parar no seu bolso. Se o policial acreditou ou não, ninguém nunca saberá. Mas que ele ficou sem palavras para argumentar com Cafu, isso não gera dúvidas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A mulher fogosa do Jazz

Todo mundo já teve uma desventura amorosa-afetivo-sexual em sua vida. Quem nunca bebeu e terminou a festa brincando de São Jorge que suspenda o álcool. Alguns têm coragem de contar, outros levam esse segredo para o caixão e alguns outros contam só pro Fuca e ele tira um print screen e divulga pra toda a rede social-virtual. Eu me encaixo no último caso.
Se o meu problema fosse o excesso de álcool no corpo eu teria bom álibi, porém, na época eu não bebia nem vinho (e hoje eu bebo só porque o Dr. Raimundo falou que é bom pro coração). O que aconteceu foi puro instinto idiota mesmo.
Para quem não conhece ou não teve infância, o Jazz era a creche das perversões. Dificilmente se encontrava alguém com mais de 18 anos no recinto e era o point ideal para as crianças irem beber escondidas de seus pais e tirarem fotos pro flashoeste escondendo os copos.
E em um dia de tédio, resolvi ir me divertir no Jazz. Divertir era uma palavra meio pesada. Raras vezes lá tinha um showzinho de rock ou coisa de qualidade. Era sempre DJ alguma coisa e as mesmas músicas. Mas entre ficar em casa ou ir procurar umas piriguetes no Jazz, o instinto carnal falou mais alto.
Não posso deixar de citar as pré-festas. Ás vezes elas eram mais divertidas do que a própria festa em si e é numa delas que as cortinas do espetáculo que vou narrar se abrem. Quantas vezes já chegamos na porta e tínhamos que voltar pra carregar um amigo que passou mal e não conseguiu nem entrar no estabelecimento? Mas isso é outra história, agora é a história daquela menina.
Aquela menina que ninguém quer pegar, mas todo mundo já pegou. Aquela que te come com o olho e que é quente por dentro. Tão quente que você dá um abraço nela e seu filme é queimado instantaneamente e você nunca mais consegue catar outra mulher na vida. Aquela menina que não existem adjetivos negativos para denegrir a sua beleza, exatamente pela falta desta qualidade. Exato, essa mesma que você pensou.
Pois é. Lá estava ela sozinha, clamando por um príncipe encantando e mandando os amigos dela chegarem pra mim e falarem que ela estava super afim de mim e que estava apaixonada. Recusei, recusei, recusei, pens..., recusei, cheguei a cogitar uma hip... recusei e fomos pro Jazz. Ela, tonta, aperta minha bunda no meio do caminho. Assustei. Uma esquina depois ela tenta me beijar a força, empurrei-a, e ela começou a chorar. Meu pobre coração com buraquinhos ficou com dó. Chegamos ao Jazz, estava bem vazio. Olhei pra vizinhança não tinha nenhuma mulher acessível pro meu nível e sabia que ia sair de lá sem pegar nenhuma birisquete.
Resolvi vencer o preconceito e aceitar a missão de ficar com a mulher fogosa. Sabia que seria coretado no outro dia, mas como já estava determinado nem pensei em desculpas e iria assumir que fui fraco e que peguei a menina mesmo.
Enfim, vamos ao romance. Cheguei perto dela, falei oi e não lembro de mais nada. Só lembro da minha falta de ar, mas ao mesmo tempo meus pulmões recebiam oxigênio boca a boca. Lembro das minhas costas esfolando na parede, do gosto ruim de cigarro (sim, ela fumava) e deu tentando escapar mas a criatura parecia ter oito braços e me deu uma prendida das bens boas (ruins).
Após esse beijo ultrarromântico, virei de costas e fugi, fui dar uma voltinha. Ela me seguia por onde eu ia. Às vezes eu entrava no banheiro e ficava lá horas e horas, a danada na porta. Rezei aos céus para que ela fosse embora, nada. Um amigo meu estava com outra donzela e a gente ia subir junto. Finda a festa, saímos do recinto e enquanto ele dava uns pegas de despedida na menina, fui levar a mulher fogosa até a esquina.
No último amasso, ela olha pra mim e fala:
- Nossa sabe, gostei muito de ter ficado com você, foi como um sonho pra mim sabe. Você é tão gentil, educado, bonitinho, te achei muito especial.
- Obrigado – respondi e pensei em falar “digo o mesmo de você”, mas minha ironia não chegava a tal ponto – até que foi legal.
- Sabe, eu não queria muito ir embora porque eu tô sozinha lá em casa. Vou ter que dormir sozinha lá...
Na hora eu senti a indireta, mas como precisava de uma resposta rápida para a intimação a primeira coisa que veio a minha cabeça foi:
- Você num tem medo não?
Ela pelo visto não esperava essa reação minha. Ela fez uma cara de “e agora?” e respondeu:
- Uai, medo medo eu não tenho não, já to acostumada. Mas é ruim dormir sozinha né.
- Que bom então uai, se você já ta acostumada não tem problema. Boa noite e tenha bons sonhos.

No outro dia eu fui zoado não por ter pegado ela, mas por ter recusado uma oferta pecaminosa.