Sabe aquela vontade de jogar tudo pro alto. Pois é. Estou enfrentando esse dilema todo dia e não estou nem ligando pras consequências que essa postagem pode tomar. O conceito de Liberdade pra mim sempre vem associado a ser feliz. Os meus momentos de ócio são as horas que eu mais produzo. Em uma semana de férias eu assisto tudo que está atrasado, leio tudo que está pendente, depois eu canso e começo a estudar naturalmente. Não me considero um vagabundo, mas estou precisando muito de umas férias que vocês não imaginam o tanto.
Claro que eu não sou imaturo o bastante pra desistir de tudo que eu já conquistei até agora, e que não foi pouca coisa. Mas eu estou querendo ser mais desleixado um pouco, pelo menos pra conseguir sobreviver na reta final.
Com o dia do professor ae recebi diversas homenagens, presentes, tenho uma festa pra ir hoje e tal. Essas coias nos valorizam, mas ser professor só é bonito nessa hora. Essas mensagens estimulantes são feitas pra cobrir o sofrimento da classe, é uma sensação de falsa alegria. É como chegar prum presidiário e falar "parabéns cara, você está virando uma pessoa melhor e o mundo vai ficar melhor com a sua contribuição", mas estas palavras não vão libertar o cara. Eu gosto muito de estar em uma sala de aula. Das 22 turmas que tenho, sinto orgulho mesmo de umas 18. Duas me dão apenas preguiça, os alunos são muito passivos e eu gosto de turma mais agitada e as outras duas me dão vontade de pular de uma janela e morrer. É incrível como uma minoria podre consegue estragar toda a beleza da profissão. É a frase filosofica do Tetris né "os erros se acumulam e os acertos somem rapidamente". Educação se dá é em casa gente. EM CASA. Falar que professor é educador é mentira. Pode até ser um tutor, mas um educador ele não é. De que adianta você ensinar um menino a não jogar lixo no chão e ao chegar em casa ele vê o pai e a mãe fazendo isso? "A criança vai levar o conhecimento e aplicar em casa". Vai o escambal! Ela vai é pegar o ensinamento errado que aprendeu em casa e trazer pra escola.
Celular. Na minha época eles estavam começando a surgir. Hoje, uma aula é interrompida ao menos cinco vezes por um celular tocando. Destas, ao menos duas a pessoa tem a ousadia de falar "com licença, vou atender" e levanta e sai da sala naturalmente. Quando você reprime, "é minha mãe, pode ser urgente". Tão urgente que a pessoa fica dez minutos no corredor falando, rindo, e mandando beijo no final. Queria que as notícias ruins sobre acidentes me fossem dadas desta forma. Alegraria meu dia.
Eu penso: eu vou é estudar pra dar aula em faculdade. Lá sim deve valer a pena. Mas acho que também não viu. Todo lugar tem seus problemas, eles mudam de nome, mas continuam sendo a mesma coisa. Só o dinheiro que é maior, isso compensa o sofrimento pelo menos.
Isso me fez pensar muito sobre dinheiro... ter dinheiro nem sempre é ser feliz. Acho justo você ganhar bem por trabalhar muito, ter estudado muito e tal. O sonho do meu pai era que eu fizesse Direito pra ser rico, segundo ele. Eu até poderia ser rico, mas não seria feliz. Se eu conseguir ganhar o básico pra sobreviver: aluguel, combustível, comida, roupas e lazer, pra mim já está ótimo.
No jornal, a gente debatia muito a questão do "fazer o que gosta". Lembro muito do pessoal comentando que o esteriótipo do brasileiro é passar num concurso público e ter um trabalho sem sentido. Tipo "o que você faz da vida?" "Eu faço requerimentos para XXX...". Imaginavamos a rotina desta pessoa, 35 anos fazendo um serviço repetido, possivelmente ficando mais mal humorada com o passar dos anos, mas aparentemente feliz. Ficaria na internet o dia inteiro, não trabalharia finais de semana nem feriados. Nada a mandaria embora do serviço... é o sonho de todo mundo mesmo, não tem como.
Hoje eu não me vejo numa situação diferente. Até acho que o dinâmismo de estar numa sala de aula é muito legal e o tempo até passa rápido. Mas a quantidade de serviço que trago comigo pra casa é fora dos padrões da realidade. Isso não é de Deus não. Professor ganha por aula dada. Deviam repensar isso ae.
Porque diabos eu estou falando isso tudo. Não sei. Escrever é a única forma que eu me sinto livre. Ficar olhando aqui pra essa telinha branca e ver as letras formando palavras é pra mim como se meus pensamentos estivessem se contretizando. Dá um alívio no peito fazer essas reclamações no Muro das Lamentações que vocês não poderão entender. Ás vezes eu recebo um comentário motivador ou desanimador. Às vezes eu sinto que ninguém leu. Às vezes eu nem quero que ninguém leia. Ninguém precisa ler. Mas tem quem gosta de ver o sofrimento dos outros pra se sentir feliz. "Pelo menos melhor que o Lalinho eu to". Se os meus lamentos no blog puderem trazer felicidade pra alguém, isso me deixará feliz.
Mas é que nas últimas semanas eu tenho me sentido um zumbi. Trabalho, trabalho, trabalho. Volto pra casa já com no mínimo dois pacotes de provas pra corrigir. Ae quando não estou corrigindo provas, estou preenchendo diários, elaborando aulas... é um ciclo vicioso do cão. Ano que vem eu acredito que será melhor porque não terei mais a pós graduação. Porque nos momentos de "folga" eu tenho que me dedicar a ela. Meu TCC está praticamente zerado, tenho um pré projeto pra entregar logo e eu perdi a motivação. Não quero saber de nada. As coisas acumularam tanto que eu to só no "foda-se". Antes eu gostava do trabalho porque ele mantinha a oficina do diabo fechada (adotei essa expressão que o thalles usou), mas agora dou tudo por um momento de ócio. É na oficina do diabo que eu desenvolvo as coisas que gosto. Esses dias eu vi um grupo de amigos e conhecidos meus fazendo algazarra em plena segunda feira. A princípio, tive muita inveja deles. Depois, veio um sentimento de dó. Aquela coisa "... eles não vão ser ninguém na vida se continuarem nessa maré mansa." QUEM DISSE QUE NÃO VÃO? QUEM DISSE QUE EU VOU? Eu não nasci príncipe. Se eu não trabalhar, morro de fome. Mas acho que não preciso trabalhar tanto assim não. Está além das minhas capacidades e eu sei o que acontece com quem leva essas coisas demais ao extremo. Não quero colocar coisas em pontas de icebergs ainda.
"Ano que vem" virou uma utopia pra mim. Todo dia falo: Ano que vem vou começar algo novo, talvez francês, talvez algum esporte, vou fazer aula de bateria denovo. Ano que vem começarei a fazer acadêmia. Ano que vem vou diminuir a quantidade de aulas. Mas parece que esse ano que vem nunca chega, e quem garante que quando ele chegar alguma coisa vai mudar? Eu preciso é focar no presente, nas últimas oito semanas letivas. Mas eu quero ser mais desleixado. Eu preciso dar mais vazão aos sentimentos sempre, senão vou pirar. É como eu disse, não é porque eu gastei uma manhã lendo Walking Dead que minha vida vai ser arrasada. Eu gasto cinco manhãs, e logo já li tudo, canso, e quero voltar pro serviço. Ontem eu fiz a ousadia de sair em plena quinta a noite. Valeu a pena cada minuto, hoje eu acordei 50% mais leve e agora que fiz essa monografia aqui no blog estou 40% mais leve.
É ruim quando a gente perde o tesão pelo que faz, mas eu ainda estou jovem, dá tempo de sempre recomeçar denovo e denovo e denovo. Até achar os novos horizontes eu ainda terei alguns momentos conturbados. O que eu quero é ser livre, só isso.
Recomeçar denovo é um pleonasmo tão bonito né.
É triste você receber a notícia que abriu uma livraria na cidade, querer ir lá fazer uma visita, e olhar que você não tem tempo pra ir. Isso ontem me deixou muito pra baixo. Eu pensei "será que sábado de manhã ela abre?" Ae na hora já lembrei que sábado de manhã é o dia deu mexer com TCC... é este o ponto que eu estou reclamando. Virei um escravo sem ver. Estou numa gaiola.
Ae eu entendo quem gasta o dinheiro todo que ganha em carros, hobbies estranhos, bebidas... são armaduras pra te valorizar. Pra você mostrar pros outros que é feliz de alguma forma, ou pra comprar coisas que te cubram o vazio dentro de voc~e.
Por isso eu agradeço ao Senhor todos os dias pelos amigos que tenho. Graças a eles, nenhum final de semana fica no vazio. É só isso que me motiva a seguir em frente, senão já teria desistido a muito tempo.
Credo, estou nesse post já faz quase uma hora (pois coloquei um cd dos Peppers pra tocar e ele já acabou). Eu ainda quero escrever alguns romances... tenho que terminar o Curriculum Merdae... não adianta, escrever é minha paixão mesmo. Vou ter que procurar um ofício nesta área.
Saudade de quando eu era pago pra escrever no jornal. Gostava da revista antes das matérias publicitárias, era tão bom. O que você faz da vida? "Escrevo".
Mesma coisa dum viciado em sexo virar ator pornô.
Enfim, vou embora. Tchau.
2 comentários:
o pior que eu nem lembro de ter usado essa frase....
mas toma cuidado jovem lalinho, na sua faculdade pode ter algum pessoal baderneiro pronto para trocar os quadros da sala!
Sei que ninguém precisa ler. Mas eu leio todos.
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