Domingo, 25 de setembro de 2011:
06:00 – Todos entram na Van e esta começa a se dirigir para sair do estacionamento e eu começo a dormir. Ouvimos o barulho do eixo da van quebrando. Acordei achando que já haviam passado oito horas de viagem e vi que ainda nem haviamos saído do estacionamento. “A van quebrou” diz o motorista. “Precisamos descer?” pergunta um em nome de todos. “Não” ele responde. “Beleza” e todo mundo volta a dormir.
Este foi o estado em que todo mundo terminou após o show. Mesmo com a van quebrada, sem saber como fariamos pra voltar para Formiga, a gente só queria dormir, do mesmo jeito que a Natasha só queria dançar quando fugiu de casa.
Voltemos agora um pouco no tempo,
Inicio de viagem é sempre legal, ainda mais quando você não conhece todo mundo ainda, fica aquele clima de suspense no ar, mesmo sabendo que no final todos irão voltar amigos.
Passei na casa da Aline e de lá fomos na casa da Lorena topar com ela e com o Bruno, até chegarmos na casa do Hugo e do Wander pra pegarmos a Van. Enquanto isso assistiamos ao show da Kate Perry no multishow, ansiosos pela viagem. A ida transcorreu tranquila, mas eu não conseguia dormir nem um pouco. Quando tentei cochilar o ons chegou na serra de Itamonte e com os giros infinitos era impossível de dormir.
Chegamos ao rio e ficamos perdidos como de praxe. O legal era que tinha uma igreja fazendo protesto contra o Rock in Rio. Eles estavam com uma camisa e faixas escritas “Por um mundo melhor só Jesus”. Achei inválida a iniciativa deles, visto que ninguém deixaria de ir ao show por causa de uma frase conscientizadora.
Achamos o local denominado “barreira” onde nenhum veículo poderia passar, exceto o onibus do rock in rio. Teriamos que andar uns três quilometros a pé. Nós tinhamos que trocar de roupa e tal, mas enquanto paramos o guarda já veio multar a gente. Tivemos que sair correndo e fomos estacionar a van no shopping, onde almoçamos/trocamos de roupa e depois pegamos um busão pra cidade do rock. Sem contar na tentativa de sequestro/assalto múltiplo que recebemos dum cara que se propos a levar a gente de van pra lá, sendo que a gente sabia que nada além dos onibus do rock in rio poderiam entrar.
A sensação de entrar lá foi muito boa, mas ao ver a caçapa da fila ficamos boquiabertos. O pior é que a fila era trolladora. A gente pensou que o ponto em que o ônibus parou era a entrada, mas ainda tinham mais 1,5km de caminhada até a cidade do rock. Na fila já encontro três formiguenses.... que mundo pequeno soh. No meio dessa fila uns caras religiosos começaram a tacar pedras na gente. É muito eufemismo chamar de pedra, eram uns tijolões mesmo, se pegasse matava. Foi tenso. Me senti muito Maria Madalena nessa hora.
Quando mais andava, mais o coração ia disparando. A cidade do Rock era bonita demais e a cada catraca e inspetoria vencida me sentia mais próximo do meu sonho. Foi uma burocracia tão grande pra comprar meia entrada, chegou lá eles nem olharam carteirinha de estudante. Só pegavam o cartão e faziam um furinho.
Na hora da entrada foi aquela emoção, todo mundo querendo tirar fotos e panz, eu a lorena o bruno e a aline só fomos correndo no banheiro e zarpamos pra frente do palco que estava praticamente vazio. Sentamos lá na frente e não iamos sair de lá por nada. Foi difícil... o tempo não passava de jeito nenhum. Tivemos que aguentar o show do Nação Zumbi e Milton Nascimento pelo telão... deu uma canseira.
Depois de muita espera começa o show do NX Zero. As vaias eram imensas, entretanto os caras foram corajosos. Fingiam que nada estava acontecendo e foram tocando só música pesada mesmo pra agradar. O que estraga a banda são as letras, pq de instrumental eles não deixaram nada a desejar. Eu estava com a intenção de mandar msgs pra todos os meus amigos, mas só tinha 4 reais de crédito, acabaram rapidinho. Se eu estivesse com um smart phone lá eu teria feito a festa (só pra matar o tédio dos intervalos de montagem de palco).
Depois veio o Stone Sour. O vocalista ficou apaixonado pelo Brasil. Também né, ver 100 mil pessoas deve ter sido um recorde pra ele. Ele não parava de agradecer e ia mandando música atrás de música. Foi a parte mais dificil do show, porque a galera ficou muito agitada e a pancadaria rolou solta. Achei que ia ser expremido lá na frente, mas sobrevivi. Sem contar a chuva que castigou a gente durante esse show, mas a capa que eu comprei no Terra teve sua segunda utilidade.
Depois foi o intervalo pro Capital Inicial. A Lorena e o Bruno haviam desistido e eu já estava quase morrendo de sede. Tava suando muito e sem água pra hidratar... era tanta gente que os vendedores nem conseguiam chegar lá na frente e até mesmo pra sair estava muito difícil. Pensei mesmo, várias vezes, que ia passar mal. Mas já tinha ido até a metade, não ia desistir.
Veio o capital inicial, o mesmo show de Formiga só que resumido. O Dinho foi o primeiro a atentar a gravidade da situação “meu Deus, tem gente passando mal aqui” e enquanto falava “olha, outro passou mal”. Na tentativa de remediar ele tentou jogar água pro pessoal, mas de nada adiantava. Eu mesmo peguei um copo de água voador e ele espatifou na minha mão, não deu pra beber nada. Eu deixei de comprar água porque pensei na possibilidade de me dar vontade de ir ao banheiro e não poder sair daquele lugar. Era melhor eu ter mijado nas calças, serio mesmo. No próximo show já levo umas cinco garrafinhas de água numa sacolinha lá pra frente.
Snow Patrol foi o grande vilão da noite. O show é bonito e tão, músicas agradáveis e bem feitas.... mas não dava pra aguentar. O sono era muito, já não sabia o que era pernas, coluna e ar pra respirar há um bom tempo, sem voz, garganta seca, estomago com um “Bob´s” comido há 8 horas atrás e o show deles não acabava por nada. Ainda erraram na Open your Eyes e voltaram ela desde o início... foi tenebroso.
A meia hora para começar os Chili Peppers me fez refletir sobre os nove anos de devoção à banda. Ainda não dava pra acreditar que eles estariam ali no palco em breve. Como eu já tinha os spoilers do repertório, estava esperando um show igual, mas me enganei completamente.
Começaram com a belíssima Monarchy of Roses. Acho que além de Around the World, nenhuma outra música tem culhões para ser abertura de um show deles. O primeiro a subir no palco foi o Flea. Quando vi ele fiquei louco vasculhando o palco e já vi o Josh e o Chad, Anthony entrou no final. Não chorei porque não tinha água no meu corpo pra produzir lágrimas. Eu só ficava besta de ver eles tão perto.
Tão perto. Essa palavra fez valer todas as horas em pé na fila pelo seguinte motivo: o telão deles passava imagens “moderninhas” meio coloridas, as vezes um slide, tipo na Throw Away Your Television os telões ficaram fora do ar em protesto, essas coisas legaizinhas. Mas pra quem estava vendo o show de longe foi uma puta falta de sacanagem.
Após Monarchy of Roses, começou a Can´t Stop e depois veio Charlie (no lugar de Tell me Baby, primeiro lucro da noite). Depois vieram Otherside, Dani California e a destruídora Look Around. O Anthony estava com uma energia que raramente vemos (olha que já vi mais de 100 show deles, então tenho firmeza no que digo). Até Otherside ele conseguiu embalar e deixar ela muito foda. O Josh arregassa na guitarra, ele não faz aquele solos longos e virtuosos do John, ele só deixa as músicas mais pesadas, o que eu adorei!
Depois veio Under The Bridge para nos dar um descanço, Factory of Faith pra embalar geral, Throw Away Your Television, com todo o seu groove, e The Adventures of Rain Dance Meggie, a mais chatinha do show com seu refrão meleca.
Ae pra detonara de vez, o Anthony fala que ia tocar uma música da época em que a gente estava nos testículos dos nossos pais e manda Me and My Friends, ainda mais pesada e bombástica do que antes. Esse comentário chamou atenção pro nível do evento, cuja maioria eram crianças e adolescentes. Até o AK deve ter percebido isso que eles já estavam agregando segunda geração de fãs.
Depois veio a divertidíssima Did I Let You Know, soh que no show o Josh não cantou o refrão sozinho, o AK ajudou e pra explodir de vez veio a Higher Ground, com efeitos ainda mais fodonicos, outra música dinossauro que estava louco pra ver. Foi lindo ver todo mundo tirando a camisa e rodando. Espero que o Multishow tenha registrado esta cena.
Ae depois veio a Californication, esta sim perdeu um pouco do espírito Frusciante, já que ele sempre fazia um solo diferente em cada versão dela, e a By The Way pra finalizar a primeira parte.
Depois no Encore, volta o Chad com o percursionista brasileiro pra fazer um solo monstro. Depois o trio volta vestindo a camisa do Rafael, filho da Cissa Guimarães como forma de homenagem. Achei muito foda, já que todo mundo estava aguardando eles falarem algo. Foi bem bonito. Ae depois pro bis eles fizeram o combo mais lendário de toda a saga deles: AROUND THE WORLD, BLOOD SUGAR SEX MAGIK E GIVE IT AWAY. Morri.
Acho que esse repertório só se compara com o do Hollywood Rock. Ficou muito bom mesmo, só músicas pesadas e dançantes. O da turnê Stadium Arcadium era muito ruim, dei muita sorte de pegar essa turnê. Mesclaram direitinho: 5 músicas do I´m with you, 2 do Stadium Arcadium, 3 do By the Way, 2 do Californication, 2 do Blood Sugar, 1 do Mothers Milk, 1 do One Hot Minute e 1 do Uplif Mofo Party Plan.
Fiquei contente.
Acabando o show fomos correndo comprar água, pechinhar a camisa clichê de “Rock in Rio eu fui” e achar os amigos pra voltarmos pro estacionamento. Andamos um cado, pegamos uma outra van e chegamos até a nossa van.
Daí ela quebra logo na saída do estacionamento e ficamos lá, dormindo. Foi até bonita a cena: uma van quebrada a treze pessoas dormindo dentro dela. Se ela não tivesse estragado eu ia chegar em casa sem nem saber como cheguei, a viagem ia passar num piscar de olhos.
Agradecimentos especiais por esta conquista:
- Ao Lincoln, por ter me emprestado o cartão de crédito pra comprar o ingresso;
- Ao pessoal da van, nas pessoas do William e da Lorrayne que organizaram a excursão;
- À Aline que me deu incentivo de não desistir na hora do Capital Inicial e ficou lá até o último momento.
- Aos Peppers por terem feito um repertório do jeito que eu queria.
4 comentários:
Cara, eu queria muito ter ido no Ré De Rote, Motorhead, Slipknot e Metalica. Mas o show foi incrivel, musicas fodasticas tirando a The Adventures of Rain Dance Meggie q eu nao gostei muito, eles podiam ter colocado a Parallel Universe (q eu gosto muito..hehe)...
Tamo junto, meu amigo!
"Data do show do RHCP do Rock in Rio coincide com o aniversário de 20 anos de um dos mais famosos álbuns dos Chilli Peppers: "Blood sugar sex magik"
Tah na segunda geração msm!!
como seu seu rival, irei no faith no more
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